Me cuidarei ao atravessar a rua, me cuidarei para não pegar um resfriado, me cuidarei para não ficar doente.Me cuidarei, meu amor, enquanto estiver longe dos teus olhos, nos momentos em que você não poderá cuidar de mim.
Fica a meu encargo voltar para você do mesmo jeito que você me deixou, ilesa. É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me adora e não agüentaria. Claro que me cuido, nem precisava pedir.
“Te cuida”, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um “te amo”.
Meses depois, terminamos o namoro sem beijos de despedida. Saí do carro prendendo o choro, ainda que o rompimento tivesse sido resolvido de comum acordo. Já estava com meio corpo fora do carro, quase fechando a porta, quando ouvi, sem nenhuma aflição por mim, sem nenhuma emoção na voz, um gélido “te cuida”. Me cuidei. Só chorei quando estava no elevador. "